Isto é para quem quer levar o cultivo das algas a fundo. hehehe.

3 – CULTIVO DE MICROALGAS em grande escala (Phytoplâncton)

 3.1 – Tanques exteriores de 20m3 de Skeletonema costatum

 Ø      Os tanques são preenchidos com água do mar subterrânea bruta.

Ø      Os ingredientes para fertilizar os tanques são diluídos em baldes separados. As doses estão indicadas nos béchers e provetas (ver meios de cultura).

Ø      Semeia-se o tanque com um inóculo de um outro tanque mais recente, ou com dois dias de cultura no máximo.

Text Box:

 Tanques de 20m3 repare que os tanques são forrados com plastico.

 O bom andamento da produção de Skeletonema costatum esta baseado em manter a cultura em fase de crescimento exponencial das células e não retardar os repiques, culturas com idade de 1 ou 2 dias no máximo. A aparição de protistas está diretamente ligado ao envelhecimento da cultura.

 3.2 – Produção interior

 A esterilização dos meios de cultura se faz à autoclave. A vidraria é limpa com produto detergente à base de ácido, e lavado com água doce ou água do mar subterrânea para economizar água. Após a lavagem, os balões são preenchidos com água do mar subterrânea e adiciona-se 5ml de CONWAY para os balões de 2 litros e 15ml para os balões de 10 litros. Em seguida são esterilizados na autoclave. Todos os dias faz-se a verificação da presença de CO2 no circuito de alimentação de ar da sala de cultivo de microalgas. A iluminação é composta de numerosas lâmpadas neon dispostas por todas as salas de cultura algal, 5 spots HQI de 250W completam  o fluxo  luminoso que funciona 24h/24h. O circuito de distribuição de microalgas pelas bombas dosadoras, é limpo todas as segundas-feiras.

 3.2.1 – Cepas

 As cepas de microalgas são mantidas à baixa temperatura (12°C) e fotoperíodo 12h/12h no phytotron do laboratório. Elas são repicadas todos os meses. Duas ou três vezes por ano, ou em caso de problemas observados na produção, as cepas mantidas à baixa temperatura servem para semear os balões de 2 litros.

 3.2.2 – Produção em balões de 2 litros

 Ø      Os balões de 2 litros servem de inóculo aos balões de 10 litros para a produção em grande volume ou para a produção de microalgas para as larvas.

Ø      Os balões de 2 litros são primeiramente multiplicados entre eles afim de obter uma produção suficiente, segura e regular de cada espécie. Eles são repicados a cada 4 dias.

 3.2.3 – Produção em balões de 10 litros

 Ø      A partir de um balão de 2 litros, semeia-se um balão de 10 litros e um de 2 litros para manter a cultura. Após o repique, adiciona-se a vitamina nos balões à razão de 1ml para 10 litros e 0,3ml para 2 litros. Os balões de 10 litros são repicados a cada 4 dias.

Ø      Os balões que servem para alimentar as larvas são repicados segundas e quintas, e distribuidos respectivamente à partir das próximas quintas e segundas-feiras.

Text Box:

 Balões de 2 e 10 litros

 

3.2.4 – Produção nos bacs de 300 litros

 Ø      Cada dia, à partir de balões de 10 litros, 3 bacs de 300 litros são semeados.

Ø      Antes de sua utilização os bacs de 300 litros são lavados com água doce fria e após limpos com o produto detergente (deixar reagir por 2-5 minutos), enxágua-se bem com água doce fria.

Ø      Os bacs são então semeados, uma dose de 250ml de CONWAY é adicionada a cada bac e em seguida os bacs são preenchidos com água do mar subterrânea.

 Nota : Todos os balões e bacs em produção são identificados por uma fita com a espécie, n° de referência e data do repique.

  

Text Box:

 Bacs de 300 litros

 3.2.5 – Distribuição das microalgas dos bacs de 300 litros

 Ø      Todas as manhãs, após cortar a alimentação da bomba dosadora, o tanque de reserva de 2500 litros, que se encontra na sala de maturação, é esvaziado e limpo.

Ø      Os bacs de 300 litros são transferidos para o tanque de reserva com a ajuda de uma bomba que se encontra na sala de microalgas. Para o melhor funcionamento da bomba deve-se fechar a válvula de ar do bac de  300 litros.

Ø      Após feita a transferência dos 3 bacs, a mangueira da bomba é ligada a torneira de água doce fria para limpar o circuito de bombeamento, depois desliga-se a mangueira da torneira e observa-se para ver se água que sai da mangueira é transparente.

 3.2.6 – Distribuição de microalgas para as larvas

 Ø      As larvas são alimentadas exclusivamente com algas dos balões de 10 litros, ou eventualmente pelos balões de 2 litros.

Ø      A cada distribuição, uma amostra de cada balão é obrigatoriamente efetuada e uma contagem em imagem digital é realizada, afim de verificar a qualidade da cultura e determinar com precisão as doses a distribuir.

 

Espécie

Utilização

Tipo de produção

Concentrações médias

Duração do ciclo

Isochrysis galbana – Tahiti

Genitores, larvas e pré-sementes

No interior : de 2 a 300 litros

Em 2 l : 22x106 cel/ml

Em 10 l :20x106 cel/ml

Em 300 l : 5x106 cel/ml

4 dias

Tetraselmis suecica

Genitores, larvas e pré-sementes

No interior : de 2 a 300 litros

Em 2 l : 3x106 cel/ml

Em 10 l :2x106 cel/ml

Em 300 l : 0,6x106 cel/ml

3 dias

Chaetoceros calcitrans

Genitores e pré-sementes

No interior : de 2 a 300 litros

Em 2 l : 25x106 cel/ml

Em 10 l :10x106 cel/ml

Em 300 l : 12x106 cel/ml

3 ou 4 dias

Pavlova lutheri

Larvas

No interior : de 2 a 10 litros

Em 2 l : 20x106 cel/ml

Em 10 l :20x106 cel/ml

 

4 dias

Chaetoceros calcitrans forma pumillum

Larvas

No interior : de 2 a 10 litros

Em 2 l : 22x106 cel/ml

Em 10 l :12x106 cel/ml

 

3 ou 4 dias

Text Box: Quadro recapitulativo dos dados de produção de microalgas

 

Skeletonema costatum

 

Genitores e pré-sementes

No exterior : tanques de 20m3

400.000 à 600.000 cel/ml

3 dias

 

3.3 – Meios de cultura

 Ø      Para os tanques de 20m3 :

 

Amonitrato à 33%

800g

Ácido fosfórico à 80%

50ml

Métasilicato de sódio

250g

 Ø      Para a produção interior :

 CONWAY adaptado à estação de la Tremblade, devido ao abastecimento de água subterrânea rica em ferro e magnésio. A preparação do meio de cultura se faz num balão de 10 litros, completos com água destilada, sobre uma placa quente com agitador. Então adiciona-se :

Nitrato de sódio

1000g

Di-hidrogenofosfato de sódio

200g

EDTA

450g

Ácido bórico

336g

 Os ingredientes da tabela acima são separados nas suas devidas proporções com 15 dias de antecedência.

 Ø      Vitaminas

 A solução de vitaminas está ajustada a razão de 1ml/litro de meio de cultura. Ela é preparada com água destilada autoclavada e estocada à frio antes da preparação.

Solução de vitaminas

Em g por 1 litro

Tiamina

5,0

Vitamina B12

0,02

Biotina

0,01

 

Esquema simplificado da produção de microalgas no interior do laboratório.

Universidade Federal de Santa Catarina

Centro de Ciências Agrárias

Departamento de Aquicultura

- Bibliografia

 BARNABE, Gilbert. Aquaculture, volume 1. 2a edição. Editora Technique et Documentation – Lavoisier/Paris

 BARRET, Jean. Semaine d' Enseignement 2002. Ifremer.

 GERARD, André; BRIZARD, Raphaël. Ecloserie Genetique de La Tremblade: Normas Zootechniques et Contraintes Sanitaires. Ifremer 2001

 PHELIPOT, Pascal. Rapport Technique – Ecloserie de Genetique et de Pathologie de La Tremblade. Ifremer, novembro de 1999

 QUERO, Jean-Claude; VAYNE, Jean-Jacques. Les fruits de la mer et plantes marines de pêches françaises. Editora Delachaux et Niestlé. Ifremer La Rochelle/L'Homeau, le 1er janvier 1998

 UTTING, S.D. e SPENCER, B.E. The hatchery culture of bivalve mollusc larval and juvenilles. 1991

 Cultivo de Ostras. Universidade Federal de Santa Catarina/ Centro de Ciências Agrárias/ Departamento de Aquicultura/ Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos. Florianópolis, 1997.